sexta-feira, 29 de novembro de 2013

NATAÇÃO, MALHAÇÃO E COMEMORAÇÃO

          O "Manto Sagrado" é para ser vestido em qualquer ocasião. Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!
         


          Já usei em várias fases negativas e o Mengão virou o jogo.


       
          Por que não agora que ele se sagrou TRI - CAMPEÃO da Copa do Brasil?
       

 
                                              
          Estou me sentindo que nem pinto no lixo, então, tenho mais é que envergar essa camisa tão linda e tão especial.
       


          Nadando, malhando e comemorando: MENGOOOOOOO !!!




domingo, 10 de novembro de 2013

ODE AO PRETO

( ODE : poema lírico de origem grega, louvando alguém ou algum elemento. )

          Antes que me acusem de racista, eu falei ODE, não ÓDIO! Mesmo não utilizando poesia, homenageio essa cor, tantas vezes depreciada. O motivo é a sua ligação com um lado negativo da vida, que vem de tempos bem antigos e de autoria popular.

          Ninguém quer cruzar com um gato PRETO, é azar na certa. Pessoas NEGRAS  são consideradas pobres, criminosas, inferiores, como um estigma medieval. O humor, quando é politicamente incorreto, é taxado de NEGRO e pode dar processo. O avião caiu? Todo o mórbido desenlace está na caixa-PRETA. Morreu alguém e o rabecão, com sua carroceria ESCURA, é que carrega o defunto. O traje PRETO é considerado, por muitos, o mais adequado para o funeral. E, quando acontece um fato ruim, logo se diz que a coisa está PRETA. Ah, chega!

          Chegou a vez de olhar para o lado positivo. O urubu é o simbolo e dá sorte para o time do Flamengo, onde o PRETO é uma das suas cores, assim como do Santos, do Botafogo e do Atlético Mineiro. NEGROS bem sucedidos e honestos, anônimos ou famosos, vemos aos montes. O bom humor do saudoso (e nojento, tchã!) Tião Macalé dizia: "Ô, CRIOULA difícil!". O quadro NEGRO praticamente foi extinto, mas é a lembrança dos momentos de estudo e educação. O ESCURO piche do asfalto traz modernidade e conforto para ruas e avenidas. Numa festa ou solenidade, PRETINHO básico não tem erro: acarreta classe, elegância, sensualidade e ainda emagrece, quem não quer? Até no Ano Novo, que gera a obrigação do branco, usei PRETO e foi um ano maravilhoso, em todos os sentidos. O melhor churrasco é feito na churrasqueira com carvão PRETO e, de sobremesa, a doce jabuticaba, ESCURINHA como ela só.

          Se por um lado temos o ilegal mercado NEGRO e os violentos BLACK Blocs, por outro saboreamos a exótica comida CRIOULA, o reconfortante cafezinho PRETO e nos divertimos no ESCURINHO do cinema. Faço minhas as palavras de Paulo Sergio Valle, musicadas pelo irmão Marcos e cantadas pela Elis Regina: "BLACK is beautiful".

          É lógico que devo ter esquecido muito relacionado com PRETO. Mas tem horas que dá um branco... Então, eu falo rápido:

          - O peito do Pedro é PRETO!

domingo, 30 de junho de 2013

O VESTIDO E O TERNO

( Anos 80, história verdadeira! Até que tem lógica...)

          Milhares de paetês, miçangas e pérolas bordados em metros de cetim, renda e forro. Horas de provas na costureira, careira como ela só e que morava onde Judas perdeu as botas. Tudo isso para usar uma vez e ficar guardado no armário?

          Solange olhava para o vestido de madrinha de casamento do irmão e não se conformava com o desperdício de trabalho, tempo e dinheiro. Não tinha casamento nenhum em vista e sabia que, em breve, a moda o condenaria à morte: brega, out, démodé !!! Vender ou reformar? Dava pena se desfazer ou mexer naquela obra de arte. Fazer o quê?

          Foi quando teve a brilhante ideia. Por que não?

          Todo sábado, ia com o marido jantar fora nos restaurantes do bairro. Roupas bem informais: vestido, calça ou saia com blusinha para ela, jeans ou bermuda com camiseta para ele. Nesse dia, já pronto para sair, ouviu-a dizer:

          - Antônio Carlos, bota o terno!

          Achou que tinha escutado mal, mas, quando a viu toda maquiada e penteada, de salto alto e com o vestido acima citado, concluiu que não:

          - Tá maluca, Solange? Vai aonde?

          - Vou, não, vamos ao "Só Na Massa"! Todos pensarão que nós chegamos de um casamento que não teve festa. Quem vai saber? Desse jeito, usarei o meu vestido. Bota o terno!

          Resmungando (afinal, usava terno a semana inteira), fez a vontade dela. E assim foi quase todo fim de semana. Depois dos restaurantes da redondeza, entrada triunfal do "casal de padrinhos", sob os olhares inocentes dos garçons e fregueses, nos dos bairros próximos e até alguns desconhecidos. Só faltaram os violinos.

          Foi o vestido mais usado da face da Terra!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

BLOGUEIRA EM CRISE

( A paradinha virou paradona. Desde dezembro. Greve no Blog? )

          Nada de texto, nenhuma novidade no front! As desculpas são várias, porém será que justificam o sumiço das histórias inéditas no Blog e no Bloguinho?

          Falta de tempo! Atividade física pela manhã é uma obrigação para melhorar a saúde e a aparência, embora eu sinta prazer com ela, pois escolhi o que gosto (caminhada, natação e musculação). Tarefas domésticas fazem parte, não tenho empregada. Leitura de jornais, revistas e livros é necessidade para o escritor. Cinema, minha paixão, quando dá, é à tarde. Procurar, pessoal ou eletronicamente, os entes queridos e amigos faz bem para a alma. A noite é preenchida com séries policiais e cômicas. Pronto, lá se foi o meu dia...

          TPM, Tensão Pré-Médicos! Está chegando a época dos exames anuais e eu tenho a famosa "síndrome do jaleco branco". Minha pressão sobe porque tenho pavor de medir, além do nefasto exame de sangue. Meus sais...

          Que preguiiiiiiça! Cultivar ideias, arrumar os pensamentos, procurar as melhores palavras. Troca isso, deleta aquilo, refaz ali. Escrever dá um trabalho...

          Magoei! É triste constatar, mas poucas pessoas acessam meus Blogs, mesmo da família (grande família!). Divulgo por email, no Facebook, até no boca-a-boca, e nada. Ou porque não usam computador ou por falta de interesse mesmo. Leem tanta porcaria na Internet, o que custa ler as minhas? Podiam me dar uma chance...

          Ih, escrevi, oba!!! É difícil recomeçar, se a própria pessoa tem que se forçar e animar. Agora vai, sem desculpas. Tempo a gente arruma, nem que sejam alguns minutos, como agora. Tensão já me inspirou a contar fatos trágicos e cômicos. Preguiça não enche linguiça. E sem mágoa, ainda que eu tenha um leitor somente: eu...

          Crise, me aguarde! Então, como dizia o Exterminador do Futuro, "hasta la vista, Baby"... 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Para Acabar e Recomeçar

          Não posso mudar o mundo!
          Isso não me dá revolta.
          Tento apenas melhorar
          O universo à minha volta.

          Com o Blog, desejo Feliz 2013 para nós todos!!!

sábado, 1 de dezembro de 2012

VIREI A CARA PRO ZICO

( Gol! Mengo! Zico! Santíssima Trindade do Futebol. Foi uma heresia o que aconteceu! )

          Estão pensando que é mentira? Sonhei? Ou é uma pessoa com o mesmo apelido do Galinho de Quintino? Nada disso! É ele mesmo, o grande ídolo dos Flamenguistas como eu.

          Os famosos estão acostumados com pedidos de autógrafo, fotos, gritos e até agarramento dos fãs. Faço ideia da surpresa dele diante da minha reação!

          Nessa época, eu ainda não estava aposentada e ia, tranquilamente, a pé para a escola onde lecionava, no fim da minha rua. Bom ir andando para o trabalho! Nada de engarrafamento, atraso, estresse...

          Mas, voltemos ao Zico, que é o que interessa. Eu sou a famosa quem? Ele estava parado, sozinho, encostado no carro, em frente a um dos prédios da minha sossegada rua. Nem acreditei! Minha tranquilidade acabou e começou uma enorme emoção.

          Quando estava chegando perto dele, minhas pernas tremiam. Pensei: posso tropeçar e derrubar o rei Arthur Antunes Coimbra. FALTA! Bancar a deslumbrada, falar abobrinha e ferir os gloriosos ouvidos? IMPEDIMENTO! Não lembrava mais se tinha escovado o dente e se meu desodorante estava vencido. Mau hálito e cecê derrotando o astro do futebol? BOLA FORA! Deu vontade de tossir. Cuspir perdigotos no meu atleta favorito? PÊNALTI!

          Nisso, o craque rubro-negro olhou para mim, sorrindo com toda a simplicidade e simpatia, porém, a idiota aqui, diante de tantas desgraças imaginárias e possibilidades negativas, se deu CARTÃO VERMELHO e ignorou solenemente o jogador símbolo do Mengão. Tirei meu time de campo e fui!!! Perdi a chance e me xinguei dos piores palavrões, como a galera faz com a mãe do juiz.

          Ele deve ter achado que estava diante de alguma Vascaína, Tricolor ou Botafoguense, com raiva do carrasco do seu time. Nunca imaginou que uma torcedora do Flamengo, admiradora e testemunha ocular, pois o viu jogar e arrasar, virou a cara pra ele. Que GOL CONTRA!

         

sábado, 20 de outubro de 2012

O MISTÉRIO ERÓTICO DO 5º ANDAR

( Suspense, sexo, lugar excitante: ingredientes desta apimentada história? Veremos! )

Edifício Castelo dos Nobres, num subúrbio do Rio de Janeiro, dezoito andares, cada um com doze minúsculos apartamentos:

AMANHÃ

No 5º andar:

          Vocês terão que imaginar o que irá acontecer, neste mesmo bat-local, lendo os fatos ocorridos anteriormente. Estão em ordem cronológica invertida, isto é, o final é o começo da história. Não é difícil, todos entenderão.

No 4º andar:

          Faxineiro: - Caraca! De novo? Todo dia jogam essa porra no chão. Tão pensando que eu sou escravo? Só porque eu sou crioulo e pobre. Vou pedir demissão... e vou ao sindicato... e vou querer os meus direitos...

HOJE

Na sala de reunião do prédio:

          Síndico: - A jararaca do 307, Dona Marly, reclamou que estão acontecendo safadezas no 5º andar, perto das escadas. Não sei o que ela foi fazer lá. (olha para o alto) Ó, Deus, a velha parece o Senhor, está em toda a parte e sabe de tudo! Também, sem marido e sem trabalhar... Ela, é claro, não o Senhor!

          Subsíndico: - Ela tá doida pra ocupar o seu cargo, mas os moradores tremem só de pensar. Sacanagem no 5º andar? Oba! Quero dizer, absurdo! O jeito é colocar câmeras ou alguém para vigiar, igual ao BBB.

          Síndico: - Amanhã, vamos convocar uma comissão e ficar de tocaia para descobrir o que aconteceu. Eu faço o sacrifício!

          Subsíndico: - Eu também! Faço questão! Vai ter briga para ser voluntário.

No 4º andar:

          Faxineiro: - Caraca! De novo? Todo dia jogam essa porra no chão. Tão pensando que eu sou escravo? Só porque eu sou crioulo e pobre. Vou pedir demissão... e vou ao sindicato... e vou querer os meus direitos...

ONTEM

No apartamento do Síndico:

          Dona Marly: - Vossa Excelência me permite um aparte?

          Síndico: - Dona Marly, eu não sou excelente coisa nenhuma, sou apenas o Síndico. Pode me chamar pelo nome, Doutor Américo (é técnico de enfermagem). Qual é o aparte, digo, o problema?

          Dona Marly: - Safadezas no 5º andar, perto das escadas. Uma vergonha! Na minha idade, 42 anos (o Síndico quase engasgou), tive que ouvir indecências terríveis. Por acaso, ontem, eu estava lá.

          Síndico: - Por acaso? Sei! A senhora tem certeza?

          Dona Marly: - Absoluta! Ela dizia que era a vez dele botar nela, pois tinha feito nele com capricho. As mães não podiam saber e não deixavam, que era muito perigoso. Era um tal de abaixa, chupa, enfia, buraco (o Síndico começa a se empolgar e pensa em, mais tarde, dar um "créu" na patroa). Foi quando ouviram o faxineiro subindo. Ela mandou ele jogar fora não sei o que e entraram correndo. Não deu para ver quem eram. O senhor tem que tomar uma providência, senão eu chamo a polícia! E aquele faxineiro é um desleixado, folgado e...

          Síndico: - (já interessado na sacanagem e cortando o papo chato da vizinha) Pode deixar, Dona Marly, eu mesmo tomarei as medidas cabíveis. Boa noite!

No 4º andar:

          Faxineiro: - Caraca! De novo? Todo dia jogam essa porra no chão. Tão pensando que eu sou escravo? Só porque eu sou crioulo e pobre. Vou pedir demissão... e vou ao sindicato... e vou querer meus direitos...

ANTEONTEM

No 5º andar:

          Dona Marly parou a sua ronda diária, com o objetivo de achar alguma coisa para reclamar, porque escutou duas portas baterem e passos. Começa a ouvir, escondida, mas não consegue ver quem são.

          Michelly (aborrecente do 508): - Anda! Anda! Mamãe tá tirando um cochilo. Você trouxe?

          Aleksander (aborrecente do 509): - Trouxe. Faz em mim primeiro.

          Michelly: - Nada disso! Hoje, a primeira sou eu. Ontem, o faxineiro quase pegou a gente e eu fiquei chupando o dedo. Nossas mães não deixam, mas é tão bom! O médico disse que é perigoso. Pode romper o ..., o ... (*), esqueci.

          Aleksander: - Também não sei o nome do negócio no buraco. A gente põe com cuidado. Não pode enfiar tudo. Lá vai, abaixa.

          Michelly: - Bota agora. Demora bastante, porque eu caprichei em você ontem. Ah, que gostoso... Por que tirou, tirou por quê?

          Aleksander: - Psiu! Ouvi passos, acho que é o Ué (Wexley Jefferson, o faxineiro), de novo.

          Michelly: - Joga fora, rápido!

          Como em todos os dias, os dois COTONETES caem no 4º andar, pouco antes do faxineiro chegar. Correm para seus apartamentos e batem a porta, não dando tempo de Dona Marly ver quem eram. Ah, já ia esquecendo: (*) é o TÍMPANO.

No 4º andar:

          Faxineiro: - Caraca! De novo? Todo dia jogam essa porra no chão. Tão pensando que eu sou escravo? Só porque eu sou crioulo e pobre. Vou pedir demissão... e vou ao sindicato... e vou querer os meus direitos... 

domingo, 16 de setembro de 2012

ESTRESSE ? FORA DE FOCO !!!

( Foto 1: o início, com o Recreio à direita; Foto 2: ilhas Tijucas, grande paixão; Foto 3: andando dentro do mar, com a maré baixa; Foto 4: Pedra da Gávea; Foto 5: Quebra-Mar e o píer. )


          Alguém aporrinhou o meu juízo? A grana está curta? O Mengão perdeu? A geladeira enguiçou? Remorso por causa de abusos alimentares? Notícia ruim no jornal? Chega!!! Me recuso a ficar ruminando o lado negativo que toda vida tem.

       
          Sabem por que eu não me estresso? Por estas imagens, que valem mais do que mil palavras, diariamente à minha disposição. Depois do café da manhã, bem cedinho, parto para a minha caminhada, na areia da praia da Barra da Tijuca. Começo no posto 3, perto de onde eu moro, e vou até o Quebra-Mar, voltando de alma lavada (o corpo também, depois dos mergulhos). Durante o trajeto, vou clicando estes closes que a natureza revelou. Demais, não é? Não há estresse ou fossa que resista a poses tão perfeitas.

         
          Mas não basta fotografar na máquina, tem que registrar na cabeça também. Tanto que, quando chove ou algum compromisso me impede de andar, tenho tudo gravado na minha memória e na digital, em vários ângulos, para lembrar que isto é o que vale a pena. Pois a vida não dispõe do recurso da câmera lenta. Ela é um flash!

         
          Alguns de vocês dirão que faço isso porque sou aposentada e moro perto da praia. Eu rebato: muitos têm o mesmo e não aproveitam, certo? E querem saber o que mais? Morram de inveja, mas não de estresse!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

GINA É UM GÊNIO

( CASAMENTO combina com FUTEBOL? Quantas brigas, quantas separações por causa dessa mistura explosiva! Será que esse vai dar certo? )

          Duplamente gênio, nos dois sentidos. No figurado, porque é muito esperta e inteligente; e, literalmente, é um gênio de verdade. Mas é segredo, ninguém sabe. Nem o marido, com quem vive há mais de trinta anos.

          Foi por essa ocasião que ele, inocentemente, ao achar uma garrafa de cerveja fechada, esquecida na calçada do prédio, esfregou-a radiante. De graça, até injeção na veia! Lembra-se de que a tampinha pulou longe, saiu uma espuma danada e, depois disso, ter encontrado a linda mulher da sua vida. O motivo de ter sido escolhido por ela para ser seu "amo", não dá para entender. Baixinho, gordinho, feinho, mas, geniosa como ela só, papo vai, papo vem, no mesmo dia, aboletou-se na casa dele.

          Aliás, essa longevidade do casamento desperta a curiosidade da homarada e a inveja, por que não dizer, do mulherio, na vizinhança do condomínio onde moram. Não tanto pela duração, mas pela qualidade da união. O cara sai de casa apenas para trabalhar ou na companhia dela (sonho de quase toda mulher).

          Nos primeiros anos, como na maioria dos matrimônios, ela não precisou usar seus poderes: tempo da paixonite aguda. Quando esse tempo acaba e entram a rotina e a monotonia, é preciso ser mágico! E ela, como todo gênio que se preze, começou a fazer das suas.

          Para combater as vontades típicas do mundo masculino, de encontrar os amigos, jogar uma pelada, tomar umas e outras e ir ao Maracanã (agora, Engenhão), Gina teve uma ideia luminosa. Matou quatro coelhos de uma única cajadada. Sempre que ele manifestava esses desejos, que para ela não eram uma ordem, movimentava o nariz para os lados. Não, não! Isso é com a amiga Samanta, a feiticeira. Num piscar de olhos, transformava-se em Laércio, vulgo "Chinelão", amigão dele. Na primeira vez em que apareceu, justo na hora em que ele ia sair para dar uns bordejos, estranhou um pouco, não se recordava desse amigo. Mas como, como poderia ter esquecido um cara com a bandeira do Fluminense, uma barriga de respeito embaixo da camisa tricolor, com pacotes de aperitivos tentadores numa das mãos e um isopor com "louras" geladíssimas na outra? Devia estar de porre!

          Viraram amigos de infância! Nem notou que a mulher, nessas ocasiões, sumia. E que papo: futebol, política, futebol, automóvel, futebol, mulher, futebol... E ainda ouvia, pacientemente, quando ele se queixava da Gina. Não tinha do que reclamar da "patroa", mas aí não tem graça. Coincidentemente, toda vez que o Chinelão aparecia, numa época em que não havia "pay per view", o jogo mais importante passava na televisão, como num passe de mágica. Nos intervalos, repetiam (tentavam, claro!) as melhores jogadas e lances, em plena sala, quebrando enfeites, sujando paredes e arranhando móveis.

          E, finalmente, altas horas, quando conversaram, comeram, beberam e assistiram a tudo a que tinham direito (inclusive, todas, todas as mesas-redondas sobre futebol), o amigo se despede, prometendo voltar na semana seguinte. Então, ele percebe que abusou, ao ver a mulher sair de uma das garrafas vazias, numa camisola sexy com as cores e o escudo do Fluzão, com o mesmo corpo e a mesma cara de quando se conheceram ( devem ser os cosméticos modernos, dizem que fazem milagres), cheia de amor pra dar. Esfrega os olhos, acha que está sonhando, mas é melhor deixar pra lá. Talvez, efeito do sono e da bebida. Está tudo tão bom, tem tudo de que precisa, portanto, direto para a cama e para o amor. Antes, promete levá-la, no dia seguinte, ao shopping e ao cinema, com jantar em restaurante incluído.

          Pra que gastar em botequim? Pra que se despencar até o estádio, encarar engarrafamento, multidão? Pra que suar e se machucar na pelada, no meio de um bando de pernas de pau? Pra que mais amigos, se já tem o melhor? Não se mexe em time que está ganhando há tanto tempo. E o encantamento de mais de mil e uma noites? Vai durar até quando? Até que a morte (dele) os separe! Genial, não?

( Quanto sacrifício a gente faz por um texto e um Blog! Para publicar esta história no seu Blog www.oglobo.com/blogs/pelada, no dia 19/08, Sergio Pugliese me pediu uma foto. Como foi uma homenagem aos Tricolores, eu, FLAMENGUISTA, tive que segurar (iiirrrc!) a camisa do Fluminense. Mas valeu! )

domingo, 1 de julho de 2012

Férias de Julho

          Férias de Julho? Eu e o Blog estamos nessa também. Nada de texto novo! Enquanto isso, se puderem, coloquem a leitura em dia e vejam as histórias já postadas (inclusive as postagens mais antigas, que só aparecem se vocês clicarem nelas). Em Agosto, eu volto com a corda toda. Aguardem!

domingo, 10 de junho de 2012

CENAS DE UM CASAMENTO

( Casamento é um desejo de muitos. Santo Antônio, o santo casamenteiro, é celebrado no dia 13 de junho. Tudo a ver, certo? E se, no grande dia, tudo dá errado? )

          Se alguém é contra esta união, que fale agora ou se cale para sempre. Tudo, tudo parecia ser CONTRA. Começou antes da cerimônia religiosa: o carro da noiva enguiçou na esquina da igreja, após vir peidando e dando solavancos o caminho todo. Já viram noiva entrar empurrada? Pois essa entrou, com a ajuda de convidados prestativos, e o veículo sacudindo e bufando, como se a gasolina tivesse sido substituída por suco de repolho.

          Chegou, finalmente! Deu o braço para o pai, mas teve que esperar um pouco porque o coroa, tomado pela emoção, havia tomado uns gorós e vomitou na calçada mesmo. Entrada triunfal pelo tapete vermelho, não sem notar que a daminha estava coçando a bunda e o pajem tirando uma difícil meleca. Nem adiantava chamar a atenção deles, pois o coral, para se exibir, não cantava, berrava a marcha nupcial.

          No altar, o pai passou-a para o noivo, que estava todo sorridente, com um enorme pedaço de feijão agarrado no dente. Ela conseguiu tirar, disfarçando um carinho no rosto dele. Reparou que, depois de tanto combinar, duas madrinhas estavam com vestidos idênticos, mas de cores diferentes. Soube, mais tarde, que compraram na mesma loja.

          Mas vamos à cerimônia! O padre era um velhinho bem caquético, que trocava o nome deles e esquecia que estava com o microfone ligado, pigarreando, escatologicamente, um insistente muco lá das profundezas, em alto e bom som. O sermão era entrecortado pelos soluços da mãe do noivo, em prantos no seu vestido azul marinho tão escuro, que parecia traje de luto. De repente, o padrinho e amigo do noivo desmaiou. Para tudo... abana o rapaz... melhorou... O que houve? Na festa, saberemos. Troca de alianças, casados, enfim! O fotógrafo, ao preparar o melhor ângulo, tropeçou no fio e derrubou a imagem de Santo Antônio. Logo o casamenteiro...

          Agora é festa! Foi no salão da igreja, com música, dança, comida e bebida. Mal acabaram de colocar as travessas na mesa, os garções quase foram pisoteados por uma multidão enlouquecida e esfomeada, com direito à guerra de cotovelo para pegar o melhor pedaço. Os nubentes, coitados, nada! E beija e tira foto e cumprimenta... A noiva conseguiu um espelho para se retocar e achou que estava olhando para um urso panda: a tão recomendada maquiadora usou uma sombra escura para "realçar o olhar", porém eram olhos de quem levou um soco. Por falar em soco, dois primos dela resolveram suas diferenças ali mesmo e partiram para as vias de fato. Isso é bebida, diziam uns. Rolaram no chão, enquanto a mãe do noivo, no seu vestido enlutado, gritava que tinha perdido o filho para "aquela família". É a bebida, justificavam.

          Para completar o barraco, o tal padrinho do desmaio chamou a noiva para dançar e agarrando-a, visivelmente excitado, ofereceu-se para fazer o divórcio dela, pois era advogado e mui amigo. É a bebida?

          A bebida acabou e tiveram que servir água da bica, por ordem do pai da noiva. "Olha a Lindoia! Água mineral!" Quase acabaram com a caixa d'água. E a recepção terminou com uma fila quilométrica nos banheiros: para variar, a maionese, tal e qual o mordomo, é sempre a culpada.

          Isso aconteceu há mais de trinta anos. E a união, acabou? Que nada, estão bem casados até hoje. Quando atravessam alguma crise conjugal, lembram que, depois de tudo que passaram e aconteceu nesse dia, nada mais os separa!

terça-feira, 1 de maio de 2012

CHURRASQUINHO DE MÃE

( Eu não escrevi errado nem vocês entenderam mal. Não é Churrasquinho PARA a Mãe, é Churrasquinho DE mãe, mesmo! Fato histórico!!! Quem? Quando? Onde? )

          Bem sei que não fui o único injustiçado no mundo. A História parece uma revista de fofocas: já deturpou a vida de muitas figuras, contando tudo de outra maneira. Nós, os famosos, somos umas vítimas nas mãos desses paparazzis que são os historiadores. Louco, incendiário, assassino, assim me chamam até hoje. Você cria fama, tem que deitar na cama, mesmo que seja de faquir.

          Tudo começou com um simples almoço, no quintal do meu palácio. Como eu tinha que matar um leão por dia e uns cristãos também, dei ordens para separar um (leão, é claro!) para o rega-bofe. Mandei comprar umas bebidas e acenderem o carvão, numa espécie de caixa formada de pedras, a churrasqueira. Eu e meus oficiais iniciamos uma cantoria bem animada, batendo nas panelas, e as moças dançavam. Habemus carne na brasa, bebida, música e mulheres, habemus um tremendo pagodis!

          Foi aí que aconteceu um pequeno incidente: Mamãe Agripina, já de cara cheia, falava mal de todo o império romano. Ninguém escapava, nem eu, seu filho, o Imperador. Um era corno, outro era broxa, uma era piranha, outra estava acabada. Matrona! Acabou engasgando com um pedaço de carne com farofa. Tentei socorrer a velha, mas tropecei na churrasqueira (eu já estava ligeiramente mamado também) e o fogo se espalhou, devido ao alto índice de concentração etílica no ar. Chamei os centuriões bombeiros, mas, para variar, não tinha água, a escada estava quebrada e as ânforas furadas. Roma lambeu como um balão!

          Na confusão, não notamos que Mamãe ficou entalada no incêndio. A coroa era um porre, mas era minha mater. Enquanto as chamas ardiam, peguei meu instrumento (musical!) e cantei esta canção, de minha autoria:

          O maior golpe do mundo
          Que eu tive em minha vida
          Foi com trinta e nove anos
          Perdi minha Mãe querida
          Morreu queimada no fogo
          Morte triste e dolorida...

          Bastou isso para me culparem de tudo. Incendiei Roma, matei minha Mãe, enquanto tocava lira, e ainda plagiaram minha canção. Acabei doidão mesmo e, tempos depois, me suicidei. Porém, o pior de tudo é saber que muitas pessoas, até hoje, põem meu nome em seus cães. NERO!!! Eu não sou cachorro não!

domingo, 15 de abril de 2012

A PRIMEIRA CARTA NO BRASIL

( No dia 22 de abril, o Brasil foi descoberto, certo? Certo! Quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral, certo? Certo! E quem escreveu a primeira carta no Brasil foi Pero Vaz de Caminha, certo? ERRADO!!! Ninguém sabe, mas eu, depois de muita pesquisa, descobri quem foi. )

ILHA DE VERA CRUZ, TERRA DE SANTA CRUZ E, FINALMENTE, BRASIL, 22 de abril de 1 500

          Cara Maria:

          Quanta saudade de ti e das crianças!

          Depois de meses de viagem, em tempestades e calmarias, nossa esquadra lusitana aportou na nova terra. Terra à vista! Não chegamos às Índias, conforme queríamos, mas há muito índio (e muita índia) dando sopa por aqui. O lugar é um estupor de bonito! Faz um calor dos diabos e acho que, por isso, os nativos são tão indolentes. Os bestalhões, por uns presentinhos tolos, deixaram que tomássemos posse das terras. Riem o tempo todo, olham para nós, portugueses, e falam ANE-DOTA, ANE-DOTA. Sabe-se lá o que é isso?

          O nome Brasil foi dado à terra em homenagem a uma espécie de árvore, chamada pau-brasil. Quando o nosso comandante, o senhor Cabral, viu a dita cuja, admirou-se e exclamou:

          - Ó raios que a parta!

          Ora, pois, pois! Parece que ela ouviu: um galho partiu e caiu na cabeça dele. Como os palavrões que ele proferiu rimavam com o nome dela, assim o lugar ficou denominado.

          Não irei estender os detalhes, pois o escrivão da frota, o senhor Pero Vaz de Caminha, ao me ver escrevendo para ti, danou a elaborar uma carta para o nosso Rei de Portugal, contando tudo, tim-tim por tim-tim. Logo, todos saberão dos ocorridos e até seremos estudados em livros escolares. É, cachopa, teu homem entrará para a História!

          Antes de partir, pedi ao Antônio da taberna para cuidar de todos aí em casa e o gajo já me informou que está comparecendo todos os dias e que tu estás muito satisfeita. Disse-me que te cantou (um fado), que eu dancei (o vira) e que comeu muito (o teu bacalhau).

          Alvíssaras! Emprenhaste de novo, mulher? Mas como? Eu já parti há tantos meses... Vê lá, hein, rapariga! Espero que este bacorinho, pelo menos, se pareça comigo, porque os outros... Um tem olho puxado, o outro é moreninho demais, sem contar o grandalhão. Contei a boa nova para o pessoal aqui. Os selvagens me deram de presente um cocar para enfeitar a testa. Os conterrâneos me disseram que é também chamado de chapéu de touro.

          Depois da primeira missa, retornaremos à terrinha e já soube que o rei nos concederá um prêmio, o que quisermos (terras, joias, dinheiro, ó pá!). Mas tu sabes o que eu vou pedir? Para mudar o meu nome. Ai, Jesus, não sei onde meus pais estavam com a cabeça quando me registraram: MANOEL BUNDÃO! Quanta vergonha! Prepara-te, Maria, de lá em diante, teu marido se chamará JOAQUIM BUNDÃO!

          SAUDAÇÕES BRASILEIRAS.

quinta-feira, 15 de março de 2012

MENOS É MAIS

( Depois da "Poesia Matemática", de Millôr Fernandes, seria muita pretensão me aprofundar na matéria. Nesta crônica, usei o básico e olhe lá! Façam as contas. )

          Virou mania mandar ou receber frases com mensagens de autoajuda. Outro dia, li uma que me inspirou: "É fácil amar a humanidade, difícil é amar o próximo." Se a pessoa CALCULAR, notará que existe uma grande preocupação com fatos MAIORES, onde a mobilização atinge o MÁXIMO. Por outro lado, quase não há a MÍNIMA atenção para os MENORES, que acontecem diariamente e estão à sua volta.

          Quanta revolta contra atentados, guerras, crimes famosos! Mas a violência está, também, em não dar bom dia para o seu porteiro, esquecer que a família existe ou brigar com alguém por motivo tolo. São pequenos atos que irão se SOMAR e aumentar a tensão do dia, que tinha tudo para ser bom.

          Críticas à honestidade de políticos, governantes e superiores (o chefe, o síndico do prédio, o gerente do banco) são constantes. Um absurdo o rombo no orçamento, o desvio de verbas, as fraudes, o superfaturamento de obras! Um absurdo, do mesmo modo, é furar fila, praticar pequenos furtos em lojas, aceitar o troco a mais, ocupar a vaga de deficiente não sendo e tomar o lugar do idoso no ônibus! São pequenas atitudes que irão DIMINUIR as chances de todos em benefício de alguns.

          Esse assunto continua rendendo: meio ambiente. Passeatas, carreatas, naviatas (do Green Peace) no combate ao desmatamento, à poluição ambiental e à caça predatória. Abaixo a indústria X! Cadeia para o fazendeiro Y! Fechem a empresa Z! As manifestações acabam e RESTA o lixo jogado na rua, na praia, no morro. Papéis, plásticos, vidros e metais acumulados, entupindo bueiros e provocando enchentes, quando chove. São pequenos hábitos que irão MULTIPLICAR os prejuízos ao meio ambiente, às pessoas e aos animais.

          Qual a SOLUÇÃO para tantos PROBLEMAS?

          RESPOSTA: DIVIDIR as responsabilidades, onde cada um (no seu QUADRADO) assume a sua PARCELA no TODO que é o bem comum.

          Que nota eu tirei?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

TRISTEZA, POR FAVOR VÁ EMBORA !

          ( Mais uma da série "EU NO FACEBOOK". )
         
          Hoje, acordei tristinha... Que 4ª feira de Cinzas foi essa? Minha escola querida (Mangueira) perdeu, meu Mengão perdeu também, me dando uma tremenda ressaca de Carnaval, snif, snif...

          Nada que uma boa caminhada na praia (visual nota 10) e 2 000 metros de natação (esforço nota 10) não curem. Além disso, fui ao cinema e vi o filme francês "As Mulheres do 6º Andar". Uma comédia leve, inteligente, sobre espanholas que vão trabalhar como domésticas, em Paris, nos anos 60. Uh-la-lá! Olé!

          Completou o meu kit antídoto para a tristeza. A Bonequinha aqui, agora mais alegrinha, recomenda!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SESSENTA

          ( A musa deste Blogão
            Agora virou museu.
            Leiam com muita atenção
            Este poema que é meu! )

          SESSENTA! A nova idade me ordena.
          Na loteria da vida, cravei a sexta dezena.
          "Não sento!" - me nego poderosa.
          Em fevereiro, me tornei uma idosa.

          Estava tão bom nos cinquenta e nove,
          porém o tempo não se comove.
          Mesmo tendo boa aparência,
          não fazia a menor diferença.

          O jeito é soprar as velas,
          esquecendo todas as mazelas,
          usando as vantagens da terceira idade,
          como os velhinhos na sua prioridade (*).

          No ônibus, o lugar é especial.
          Meia-entrada no cinema levanta o astral.
          Na fila do banco, passamos à frente.
          A preferência é um bom presente.

          Contudo, há um outro lado:
          DNA (**), PVC (***), isto não é engraçado!
          Você quer contar uma história,
          ai, como falha a memória!

          Não tive filhos, só sobrinhos.
          Se estou com eles, perguntam: "Seus netinhos?"
          Ao chegar a minha hora,
          você deu lugar à senhora.

          Quando penso: "Tô ficando velha...",
          o espelho diz: "Já ficou, Regina Celia!"
          O bigode chinês vai até o nariz
          e o cabelo branco aparece na raiz.

          Cremes no corpo e na cara,
          natação, esforço que não para,
          mas a pele está mole e enruga
          e, nadando, estou mais para tartaruga.

          O peso da idade aumenta bem depressa.
          Projetos e planos? Fico só na promessa.
          "Antiguidade é posto!" - de saúde,deve ser.
          Na idade do condor (****), quase tudo vai doer.

          Concordo com a frase sucinta:
          - Não me troco por duas de trinta!
          Não me troco porque não posso.
          Se pudesse, faria qualquer negócio!!!

          (*) prioridade - ou seria pior idade?
          (**) DNA - data de nascimento antiga
          (***) PVC - porra da velhice chegando
          (****) idade do condor - com dor nas costas, com dor nas juntas, etc.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

QUERO SIM !!! O QUÊ ?

( Voltei! Primeiro texto de 2 012! Tudo a ver com verão e praia. )

          Estas frases do título ficaram famosas na minha família por causa de um primo, na época, adolescente. Nessa fase, a fome é muita, comem até pedra. Nossa tia estava na cozinha, chegou na varanda e começou a perguntar:

          - Beto, você quer...

          De pronto, ele respondeu:

          - Quero sim, Tia! O quê?

          O que havia para comer não interessava, o importante era comer. Por isso, estou usando as frases dele para ilustrar a minha relação com brindes. Quem não gosta de ganhar? Lembro que vi, num programa sobre moda do canal GNT, a atriz e cantora Thalma de Freitas dizer que perdeu o desfile de um estilista amigo porque estava na fila para ganhar um brinde legal.

          Um lugar onde brindes são distribuídos é a praia. Amostras de filtro solar, creme para o cabelo, iogurte, até café descafeinado eu já vi. Mas ganhar que é bom, eu não ganho. Sabem por quê? Depois de velha, virei bebê. Vou à praia cedo, no máximo às 10 da manhã estou saindo, mesmo no horário de verão. Acontece que os tais presentinhos são oferecidos após essa hora, quando há mais pessoas. Eu só vejo, no dia seguinte, os frascos, sachês e caixinhas jogados na areia. Conclusão: só ganha quem vai à praia tarde e é um porcalhão!

          Um dia, encontrei uma amiga, ficamos conversando e atrasei minha saída. Quando cheguei no calçadão, vi dois jovens distribuindo... bambolês. Bambolê?! Pra que eu quero isso? Desde criança, eu não via. Nem sei mais usar. Não quis saber, brinde é brinde! Quero sim!!! O quê? E lá fui eu, feliz da vida com meu presente, como um atleta que ganhou medalha.

          Usei? Só no dia, dei umas três reboladinhas e pronto! Depois de meses encostado na minha varanda, como um troféu enfeitando o ambiente, caí na real e me livrei dele. Ficou um gostinho de "quero mais", mas não ganhei nem injeção na veia. Só me restam os dois jornais gratuitos, "METRO" e "DESTAK". Quero sim!!! O quê?

domingo, 18 de dezembro de 2011

Férias Dos Neurônios

          Ufa! Estou cansada. Escrever cansa... Darei uma folga para os neurônios e voltarei em janeiro. Eu tiro férias do Blog e vocês tiram férias de mim. Enquanto isso, releiam o que já foi postado, não esquecendo as postagens mais antigas. Bom descanso, Boas Festas e um 2 012 pra lá de bom para todos nós!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

EU NO FACEBOOK

( Cansada de pedir para lerem meus Blogs e poucos atenderem, resolvi investir em propaganda. Não dizem que ela é a "alma do negócio" ? Tomara que o espírito dela baixe e ajude a levantar meu IBOPE! )

INFORME  PUBLICITÁRIO  -  postado em 27/11

Leiam  Com  Muita  Atenção !!!

          Baixo Astral? Insônia? Prisão de Ventre? Impotência Sexual?

          Contra tudo isso, leiam meus Blogs. Vocês vão dar risada (que textos ridículos!), dormir (que textos chatos!), cagar e andar (que merda de textos!) e até gozar (que porra de textos!). Têm até SAC 0800: os comentários são inteiramente grátis. Estão sempre em promoção: quem leu um texto, pode ler todos. Aproveitem!!!

Blogão:   http://www.rpcontosedescontos.blogspot.com/

Bloguinho:   http://www.contandoate3emais.blogspot.com/

sábado, 19 de novembro de 2011

RAP DO PALITO ( M C REGININHA )

( Rapper? Eu? Por que não? Até nome artístico adotei. Tinha escolhido Regina A Pensadora, mas ficou este. Agora, é só arranjar empresário e fazer sucesso. )

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

Jogo pra escanteio a tragédia, só penso em fazer comédia.
Sinto muito, nada de drama, meu coração não se engana.
Neste grande mundo cão, rir é a melhor solução.
Se cada um tem seu jeito, neste eu não vejo defeito.

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

Antes do fio dental, eu era o maioral.
Estava em todas as bocas, do gênio ao cabeça oca.
Havia chegado o meu fim? Não, não é bem assim.
Não sou um pau mandado qualquer, estou pro que der e vier.

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

Sou elemento citado, no sentido figurado.
Para acabar com o sono, abro os olhos do dono.
E represento a magreza, símbolo atual da beleza.
Faltou o brinquedo original? Sou vareta na maior cara de pau.

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

Nas festas, falam bobagem, bebem e comem sacanagem.
Vou à praia também, e lá não tem pra ninguém:
Com sorvete ou queijo de coalho, na fome quebro seu galho.
E pra contar mais um conto, mostro se o bolo está pronto.

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

Ouçam bem o que eu digo, garanto, não há perigo:
A vida pra tudo tem hora, meu senhor e minha senhora.
Procurem sempre a alegria, o conselho é cortesia
De quem evita o conflito, sou seu amigo, o Palito.

DRAMA NÃO DÁ PÉ, DEIXA DE SER MANÉ!

sábado, 5 de novembro de 2011

EU NO FACEBOOK

( Postei de novo no Facebook e tomei gosto. Foram 2 textos em outubro: o primeiro sobre musculação [1, 2, 3, ufa...] e o segundo sobre o uso do chapéu [tem até foto]. Deram assunto. E como! )

I - QUERER  É  PODER  ?  -  postado em 13/10

          Oi, Queridos, em março, recomecei a musculação. Há mais de dez anos que eu não fazia. Minha médica e afilhada, Dra. Juliana, disse que não são só os ossos que sustentam nosso corpo, os músculos também. Desabar, nem pensar! E lá fui eu. Supino, abdutora, remada... virei marombeira. Como dizem que "querer é poder", falei para meu professor na academia que eu queria as pernas da Viviane Araujo (rsrsrs) e os braços da Michelle Obama (kkkkk). Coloquei fotos da duas na geladeira para me animar, mas deu uma depressão... Tirei logo!

          Agora, acreditem: passei a Viviane e estou passando a Michelle! Sabem em quê? Na COR! Como caminho na praia quase todo dia, estou com um "bronze" de respeito. Quanto à musculatura delas... Aí, vocês estão querendo demais! Nem que eu tomasse bomba. Por enquanto, só estou levando bomba. Mas eu chego lá... Chego? Haja malhação (não é a novela) e milagre! Bjs

II - VOCÊ  TIRARIA  O  CHAPÉU  ?  -  postado em 24/10

 
         
           Oi, Queridos, vamos lançar moda? Aliás, relançar, pois o uso do chapéu é bem antigo. Moramos numa cidade tropical, com sol quase o ano todo. Nada mais normal do que usar o dito cujo, né? Por que só na praia? Ou apenas a garotada com seus bonés? No verão, suor escorrendo, o filtro solar vai todo embora. Uma cobertura na moleira vai bem. Sombrero, cartola, coco, Panamá, é gosto do freguês. Isso vale para homens e mulheres.

          Se o cabelo ficou um lixo ou não existe, esconde tudo. Disfarça, se quiser se esconder de um chato. Para fazer um charme, é o máximo! Comprei um que é todo moldável e, dobrado, cabe na bolsa, quando num ambiente fechado. Tá sol, bota o chapéu! Tá no lado de dentro, tira o chapéu! Tá ventando, segura o chapéu! Bota, tira, dentro, segura... isso tá me dando um calor...

          E aí, alguém tem coragem de me acompanhar? Bjs
         


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

JUSTIFICATIVA DE DEMISSÃO

( Vocês já perderam o emprego? Que desagradável! Não se preocupem, até os deuses são demitidos. )

          Senhores Deuses Diretores do Olimpo:

          Conforme solicitado, apresento este relatório sobre a demissão da Semideusa Raimunda, encarregada do Brasil.

          Permitam que me apresente: Themis, Deusa da Justiça. Sou a segunda mulher de Zeus, o Deus superior. Todos já devem ter visto a minha estátua, em frente a palácios, ministérios e tribunais de justiça. Com uma venda nos olhos, seguro, numa das mãos, uma balança e, na outra, um vaso sob a forma de corno (não é do Zeus, juro!), que simbolizam, respectivamente, imparcialidade, equilíbrio e riqueza.

          Não é fácil ser justo. É andar na corda bamba, onde os pratos da balança puxam cada um para o seu lado. Acusação, defesa, culpado, inocente. Para me auxiliar, convoquei um semideus para cada país. Todos iam relativamente bem, até que a acima nomeada começou a se exceder em suas atribuições.

          Alega Raimunda, originária do estado da Paraíba, que justiça, no referido país, tarda e falha; não é cega e, sim, míope, fazendo vista grossa e enxergando quando convém. Entretanto, não se pode esquecer que dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex. Desculpem a gracinha! Retiro a última frase.

          A situação judicial brasileira explica, mas não justifica suas atitudes. Tornou-se uma JUSTICEIRA! Parecia um Charles Bronson de túnica. Não é por aí.

          Começou com um assaltante a mão armada que estava à solta: colou suas mãos com Super-Bonder! Capou com a peixeira um estuprador que, apesar de várias denúncias, não conseguiam prender. Pegou um desses pedófilos da Internet, trancou-o num cubículo, obrigando-o a assistir a um clipe do Michael Jackson fazendo "Uh!", o dia todo, durante uma semana. Criou uma tempestade que destruiu todos os produtos e bancas de camelôs do país. Jogou furacões (que nem existem no Brasil) em grupos de invasores que já formavam favelas-comunidades em florestas preservadas: foram arrastados para o meio do deserto, no planalto central. E ainda forçou uns políticos corruptos a comerem uma buchada de bode, bem regada com azeite de dendê e pimenta malagueta: sujaram até o colarinho branco! Paro por aqui porque a lista é grande.

          Senhores, é muita a tentação de dar-lhe apoio, porém fui obrigada a puni-la exemplarmente. Nada de justiça com as próprias mãos! O povo de lá transformou-a numa super-heroína para combater a impunidade. Aplaudiam seus atos e queriam elegê-la Presidente da República. Mulher macho, sim, senhor!

          Antes que as coisas fugissem ao controle, decidi tirá-la de suas funções. Ela foi, então, transferida para o Departamento de Eros, Deus do Amor. A dita cuja já começou a meter a colher em alguns relacionamentos amorosos em crise. Não quero nem saber! Julguem por vocês.

                                                                            Atenciosamente,
                                                                            Themis, Deusa da Justiça

domingo, 2 de outubro de 2011

LINHA 442 ( LINS - URCA )

( Esta linha de ônibus foi desativada há muito tempo, anos 80, se não me engano. Muitas coisas aconteceram no interior dos seus veículos. Quem vai contar? )

          Ô país este Brasil! Labutei, labutei muito, dos dourados anos sessenta até o chumbo dos setenta. Quando acharam que eu não era mais necessário, fim da linha, me recolheram nesta espécie de asilo e, depois, me passaram adiante. Política da empresa. Ter que voltar a trabalhar, igual a tantos por aí, tudo bem. Razões econômicas. O ruim foi a mudança de percurso.

          O melhor me tiraram: passar pelas praias. Todos os dias, com chuva ou sol, meu trabalho começava no Lins de Vasconcelos, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, e ia até a Urca, na zona sul. Nesse meio, havia Grajaú, Vila Isabel, Maracanã, Praça da Bandeira, Centro, até chegar à orla, Flamengo, Botafogo, Praia Vermelha.

          Tenho é coisa para contar e, como dizem que quem conta um conto aumenta um ponto, é mais uma parada que eu faço. Afinal, é minha obrigação pegar quem espera por mim.

          Eu levava estudantes e trabalhadores. Colégio Pedro II, padarias, Colégio Militar, restaurantes, Instituto de Educação, bancos, UFRJ, empresas. Eram normalistas, secundaristas e universitários misturando-se com garçons, vendedores e funcionários, com aquelas fisionomias de quem tem um dever a cumprir. Ouvia suas conversas sobre obrigações e tarefas. Eu também fazia a minha parte burocraticamente, talvez contaminado por esse estado de espírito.

          Ah, mas quando chegava o verão, tudo mudava. Era outro astral. Outros papos. Parecia que todo mundo tirava férias e os que iam trabalhar sabiam que tinham que conviver com trajes e apetrechos praianos, pois o mar era o limite.

          Era bom ver namoros começando depois da paquera, ouvir as fofocas, os casos, relatos de afogamento, sentir o cheiro de suor misturado com óleo Dagelli ou Rayto de Sol. Eu ficava cheio de areia e farelos de lanche, impregnados de maresia.

          Não existia arrastão, era só quando a Elis Regina cantava. No máximo, furtos e mão boba, às vezes acompanhados de brigas e discussões. Vi pessoas passarem mal e até um que morreu, tristes lembranças. Vida que segue.

          Eu gostava especialmente de um grupo de jovens que moravam numa mesma rua, no Lins. Na ida e na volta, andavam até o ponto final, para viajarem sentados, pois até a Praia Vermelha, era chão! Encarnavam um no outro e nas pessoas que, porventura, cometiam algum deslize, tal como tropeçar, vestir-se de maneira estranha ou apenas fugir do tipo comum. Alguns passageiros faziam cara feia, mas, para mim, as brincadeiras e as risadas eram a maneira que eles encontraram de se despedir da irresponsabilidade da juventude para entrar na seriedade da vida adulta. Para irritar as amigas, gabavam o corpo escultural de uma loura que ficava perto deles na areia e, quando eu passava pela Praça Quinze, com aquele odor característico de peixe, mandavam, com suas vozes tonitruantes, que elas fechassem as pernas. "Raquel" era um dos muitos apelidos aplicados: foi para a colega que, para não ter que dividir o bronzeador, colocou-o numa pequena embalagem de Lavolho, um conhecido colírio. Um deles não quis ceder o lugar para uma mulher com o bebê no colo e pediu para segurá-lo. Não deu outra: assim que ele pegou, o guri vomitou nos dois. Todo sujo, entre gargalhadas e uma canção bem nojenta (peço licença para não cantar), teve que levantar e foi em pé até em casa. Bando de gozadores!

          Mas a pessoa mais especial para mim foi o Tião. Era bem preto, gordinho e um paquerador inveterado. Deixava as mulheres sem graça, quando arqueava as sobrancelhas repetidamente e dizia bem alto "Quer que eu entre na sua rua?"  É, o Tião era o motorista. Aliás, o melhor que me conduziu. Nas mãos dele, não tive um arranhão sequer.

          Vocês estavam pensando...? Não! Entenderam agora? Sou um bem conservado veículo coletivo, também chamado de ônibus. Para os íntimos, Mercedes com chofer. Estou velho, mas ainda dou bom caldo. Só que Greta Garbo, quem diria, acabou em Nova Iguaçu. Meu nome agora é Pirata, Ônibus Pirata Central-Nova Iguaçu. Longe de mim desfazer da Baixada, mas depois de tanto tempo de serviço, achei que seria promovido. Uniria o útil ao agradável levar o povão de lá a Copacabana, Ipanema ou Barra. E eu voltaria a ver o mar. Tenho grande amor pelo mar. Olhar para ele ajuda a dividir as cargas pesadas da vida. Suas águas calmas ou de ressaca são como uma mulher, com as fases determinadas pela lua. Pensando bem, não devia ser O MAR, e, sim, A MAR.

          A MAR? AMOR? LUA? Depois de velho e pirata, virei romântico. Romântico só fala bobagem. Vamos trabalhar. Foooon, foooon!

domingo, 18 de setembro de 2011

EU NO FACEBOOK

( Entrei no Facebook em maio. O objetivo maior era divulgar os blogs e não ficar falando de coisas pessoais. Mas tudo é pessoal, até quando conto histórias de outras pessoas. Estes pequenos textos foram postados agora em setembro e têm muito  a ver comigo: amor e sofrimento pelo Flamengo [cadê você, Urubu?] , cinema [eca, filme argentino?] e Lei Seca [ic!]. Tinham que estar aqui no Blog, concordam? )

I - UMA  CERTA  CAMISA  -  postado em 6 / 9

          Oi, Queridos, meu time tá mal! Tô triste? É claro, mas não me escondo e aguento a gozação dos anti-Flamenguistas. Os Rubro-Negros são os únicos que, com qualquer resultado, vestem a sua segunda pele (ou, como dizem as más línguas, a única que têm). Reparei que muitos torcedores dos outros times, quando perdem, guardam as camisas no armário e fogem da zoação. Nem tocam no assunto. Qual é?! Afinal, tudo não passa de uma grande e saudável brincadeira. Vale até sacanear você mesmo. Pelo menos, deveria ser assim. É por isso que, na minha foto (no blog e no Facebook), estou com o Manto para sempre Sagrado. Na derrota ou na vitória, com pum ou sem pum *, uma vez Flamengo, sempre Flamengo!!! Bjs

* Alguns jornalistas noticiaram que, durante a bronca do técnico Luxemburgo depois da derrota, um dos jogadores soltou um gás.

II - UMA  CERTA  CAMISA  -  postado em 12 / 9

          Oi, Queridos, hoje malhei e nadei com meu Manto Sagrado. Foi uma farra na academia, uns me sacaneando, outros me apoiando, mas todos admirando minha coragem. Amo meu Time em qualquer circunstância, mesmo no inferno astral em que está. Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar!!! Bjs

III - A  BONEQUINHA  (eu)  VIU  -  postado em 9 / 9

          Oi, Queridos, recomendo o filme "Um Conto Chinês", que, apesar do nome, é argentino. Calma, não me batam! É argentino, mas é muito bom. Ricardo Darin (o único argentino de quem eu gosto, rsrsrs) é o protagonista. Confiram. Bjs

IV - LEI  SECA  ME  MOLHOU  -  postado em 12 / 9

          Oi, Queridos, fui apanhada na Lei Seca, depois dos embalos de sábado à noite (niver da minha irmã). Sempre pensei que nunca iriam me parar, por ser mulher e coroa. PERDI!!! Como eu tinha tomado alguns gorós (poucos, tá legal?), não fiz o teste do bafômetro. Ficarei uma semana sem carteira e vou morrer numa multa de quase mil reais. Mas resta um consolo, aliás dois: o inspetor me confundiu com uma JOVEM voltando da naite (só tinha garotada, urruuu!) e um outro disse que o álcool faz mais efeito numa pessoa como eu, MAGRINHA. Mesmo desabilitada e dura, ganhei o dia, quer dizer, a madrugada! Bjs da Amiga Pinguça

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

É AGORA OU NUNCA ( or It' s Now Or Never )

( Certas pessoas precisam de um "incentivo" para tomar uma atitude ou cumprir algum objetivo. Antes tarde do que nunca. Mas, tem que ser agora? )

          Quase tudo comigo tem que ser na base do vai ou racha. Só pego no tranco. Fico enrolando, enrolando e acabo amarrada. Alguma coisa drástica acontece e me força a fazer o que devo. Foi assim com os blogs ( para quem não sabe, tenho um blog infantil também: http://www.contandoate3emais.blogspot.com/ ). Cansada de mandar originais para editores que não liam e não gostavam e de descobrir que muitas pessoas nem abriam os livrinhos que mandei imprimir com meus textos, decidi entrar na Internet.  Quem sabe eles clicam no meu endereço, mesmo sem querer? Todo escritor tem que ir aonde o leitor está.

          "Tenho que aprender a nadar.", eu repetia e repetia. E nada! Era campeã nas modalidades prego e parafuso ( quem chega mais rápido ao fundo ). Até que, um dia, numa praia bem mansinha de Búzios, eu quebrava um galho com meu nado cachorrinho, quando um cachorro de verdade passou disparado por mim, nadando. Foi a gota d'água: ser derrotada por um cachorro! Entrei para a escolinha com 30 anos, mas aprendi a lição e hoje nado os quatro estilos. Te cuida, Cesar Cielo!

          O inglês é necessário, mil razões. Do you speak English? "No, I don't.", era a minha resposta. Não pude pagar curso, na época da escola, portanto, era o básico e olhe lá! Eu não via tanta necessidade de estudar a língua, nem para trabalho nem para viagem. Foi quando surgiu a oportunidade de uma excursão à Disney. O guia falava inglês e eu me fiava nas lembranças do colégio. Num parque aquático, resolvi encarar um toboágua bem alto. Será perigoso? Já era quarentona. Sem "poliglota" algum para me ajudar, subi e perguntei ao louro e forte funcionário:

          - Is this ...

          Cadê que eu me lembrava da palavra DANGEROUS? Apontei para a boia e repeti:

          - Is this ...

          Ele, óbvio, achou que eu queria ir. Me agarrou, me sentou na boia e empurrou. Bebi água, o sutiã do meu biquini subiu, a calcinha desceu, meu cabelo entrou no olho e quase perdi minha lente de contato, que saiu do lugar. Sorte que o parque não estava cheio e ninguém  viu quando caí na piscina, seminua, descabelada e cegueta.

          Assim que voltei, nem descarreguei as malas. Fiz a minha matrícula num curso de inglês. Fui a primeira aluna da turma. Oh, yes!   

domingo, 21 de agosto de 2011

NÃO DÁ PRA ESQUECER

( Aparece cada figura na vida da gente... Essa trabalhou comigo, na primeira escola onde dei aula. Acreditem se quiserem! )

          Hoje, por causa do politicamente correto, teríamos que descrevê-la como uma afrodescendente, de elevada estatura e avantajada circunferência, lábios excessivamente carnudos e cabelos difíceis de pentear. Antigamente, dizia-se mesmo que ela era uma tremenda negona!

          Professora primária de uma escola pública do subúrbio, Maria José era o tipo da pessoa que, se não existisse, tinha que ser inventada. Agitada e falante, era querida por colegas e alunos. Quando faltava ao trabalho, era um grande vazio. Até para a diretora, que ela deixava de cabelo em pé, com suas palavras e atitudes nada pedagógicas.

          Uma delas foi quando resolveu pegar um galho de árvore para castigar as crianças que erravam os trabalhos ou desobedeciam às suas ordens. Só que ela batia sem machucar e os alunos adoravam "apanhar". Mas um menino comentou com os pais o que a Tia fazia. A mãe, furiosa, no dia seguinte, foi tirar satisfações com ela.

          - É verdade que a senhora bate no meu filho e nos outros alunos também?

          Quando aquele corpanzil levantou, a mãe reparou que o seu corpinho era metade dele. E a resposta ameaçadora veio de pronto:

          - Bato, sim! Bato no seu filho, bato no seu marido e bato na senhora também, se começar a me encher a paciência.

          A mãe escafedeu-se e Maria José continuou tranquilamente a dar sua aula.

          Outro dia, na hora do recreio, as crianças vieram avisar:

          - Tia, Tia, o Almir está subindo na mangueira!

          Almir era um pretinho, arteiro como ele só, que vivia aprontando. Portanto, era o maior "freguês" do galho castigador. E ela nem aí, continuou a tomar seu cafezinho. Uma professora insistiu:

          - Maria José, ele pode cair e vai ser um problema.

          Calmamente, ela largou a xícara e, com aquele vozeirão, trovejou:

          - ALMIIIIIR, desce daí, macaco!

          E, virando-se para as colegas, completou:

          - Não gosto de crioulo!

          E não gostava mesmo, tanto que vivia perseguindo o motorista da Kombi que transportava as professoras, que não era bonito, mas era louro, de olhos azuis. O coitado fugia dela como o diabo da cruz. Também, ele provocou a onça com vara curta. Confessou que, numa noite de porre, acabou "ficando" com ela. Na saída da escola, ele implorou:

          - Regina, Luiza, por favor, fiquem aqui na frente comigo! Me salvem!

          Rindo muito, as duas professoras aceitaram. Mas, lá vinha ela. Quando viu que só tinha lugar nos bancos de trás, ordenou para as colegas:

          - Regina, Luiza, pra trás!

          As duas prontamente obedeceram, apesar das súplicas do infeliz. Ela entrou, acomodou-se no banco da frente e, orgulhosamente, botou o bração em volta do pescoço do seu príncipe, que não sabia se dirigia ou se abaixava.

          E foram todos embora, pensando no que ela iria aprontar no dia seguinte. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA

( As férias escolares acabaram e as aulas e os trabalhos já começaram. Quem não fez, CASTIGO! Antes de criticar os estudantes de hoje, lembrem-se do ontem. Nós todos fomos crianças. )

          Pô, que saco! Tenho que escrever isso cem vezes. A chata da professora, toda semana, passa uma redação para casa. Falei que esqueci e ela me castigou com a cópia, depois da hora. E a minha mãe dá razão, em vez de me apoiar. Duas contra um é covardia!

          NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA.

          Detesto fazer redação. Quando estava no C. A. e na primeira série, por qualquer coisa que eu escrevia, era elogiado. Agora, na quarta série (atualmente, quinto ano), ela quer vírgula, parágrafo, ortografia. Introdução, desenvolvimento e conclusão. Tem que obedecer a um tema. E se eu não tiver nenhuma ideia sobre ele? Perguntei se poderia escrever sobre outro assunto. "Não, não pode!" É só regra, regra e mais regra! Depois, ela pergunta: cadê a criatividade? Assim fica difícil, eu só tenho dez anos.

          NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA.

          Eu sei que tenho dificuldade para escrever porque não gosto de ler. Como que eu vou ler? Não tenho tempo. Além dos deveres de Matemática, Estudos Sociais e Ciências, tenho os de Português, também. E a diversão? Meu pai reclama que, no tempo dele, as crianças liam muito. Mas eles não tinham computador, games e a televisão tinha poucos programas infantis. Para mim, livro bom é livro fino, com muitas figuras. Não sei por que esses escritores escrevem tanto, dá o maior trabalho para o leitor.

          NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA.

          Outro dia, ela passou uma redação, "Fale sobre suas férias". Legais, pronto! Suei para conseguir escrever o mínimo que ela exige, quinze linhas. Não tenho nada para contar. As meninas é que falam demais e escrevem muito. Lembrei que a minha mãe sempre pergunta pro meu pai como foi o dia dele. "Bom.", ele responde. Não entendo, ela fica toda emburrada. E fala, fala...

          NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA.

          Como diz a Tia, escrever serve para contarmos o que acontece, além de mostrar o que pensamos e sentimos. Ah, é? Já sei, farei uma redação contra a redação. Será uma vingança contra todas as professoras de Português. Legal! Mas não sei como começar a introdução. Que argumentos devo usar para fazer o desenvolvimento? Donde se conclui que... Ih, deixa pra lá! É muito complicado. Continuarei com a minha cópia. Já estou escrevendo, né?

          NÃO DEVO ESQUECER DE FAZER O TRABALHO DE CASA.

sábado, 30 de julho de 2011

FLAMENGO 5 X 4 SANTOS

( Todo mundo aí tem um segundo time? Não? Pois eu tenho! )

          Não, não vou comentar sobre esse já lendário jogo, que foi o assunto da semana, antes, durante e depois da sua realização. Pelos técnicos Luxemburgo e Muricy e jogadores estrelares, pelas jogadas geniais, pelo dilatado placar... Quando soube do resultado, fiquei feliz, como Flamenguista que sou, mas um pouco dividida, porque o Santos é o meu segundo time, o vice do meu coração. Comentei com várias pessoas:

           - Poxa! O Flamengo empatou com o Palmeiras, com o Ceará. Não podia ser o contrário? Ganhar deles e empatar com o Santos?

          Ontem, fui à praia dar minha caminhada e encontrei o Neguinho, simpático e rubro-negro, que trabalha na barraca em frente ao meu ponto de partida na areia. Vem de casa vestido com a camisa do Flamengo e troca pela camiseta uniforme dos barraqueiros. Sempre puxo conversa com ele, sobre o mar, o nosso time, o tempo. Não sei o nome dele, nem ele o meu. Eu o chamo de "Amigo" e ele me trata por "Senhorita", mesmo sabendo que sou casada. E nosso papo começou, com o assunto óbvio:

          - E aí, Amigo, gostou do jogo?

          - Claro, Senhorita! Nosso Mengão arrasou!

          E eu, com aquele meu pensamento:

          - Fiquei feliz, mas um pouco dividida, pois o Santos é o meu segundo time. Desde o Pelé, virou uma paixão. E agora, com Ganso, Neymar...

          Ele me interrompeu, com aquele jeito respeitoso, mas fechando o sorriso:

          - Senhorita, quando a Senhorita for a São Paulo, a Senhorita torce pelo Santos. Mas aqui, a Senhorita é Flamengo!

          Fim de papo! Ou seja, daqui pra frente, torcer pelo Santos, só quando não tiver o Flamengo no meio!         

          

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CARIOQUICE , ESSA DOENÇA PEGA

( Cidade do Rio de Janeiro: as qualidades são muitas e os defeitos também. Mas ser CARIOCA, nascido ou residente, é ser contaminado por uma virose, que não larga mais. )

          Nascido e criado no Rio de Janeiro, apesar de viver confinado num apartamento de classe média do Méier, um subúrbio da cidade, Zé era o típico carioca.

          Mexia com as moças que passavam na calçada, com a mentalidade de um Vinícius de Moraes: "As muito feias que me desculpem, mas beleza é fundamental.".  Se fossem bonitas, dizia "Gostosa!" ; para as menos favorecidas, gritava "Mocreia!". Por influência da família (o casal, Antônio e Marília, e os filhos, Lucas e Isabel), torcia pelo Vasco da Gama, com alma de Bacalhau. Gritava GOL!!! e debochava dos outros times, em dias de vitória, mas se escondia para não aguentar a gozação, na hora da derrota. Quando sentia o cheiro que vinha da churrascaria próxima, pedia:

          - Oba! Churrasco, cerveja!

          Sabia todos os palavrões e xingava as crianças, que, aliás, adoravam revidar, sem ter de ouvir a bronca das mães. Provocava um bêbado, um coitado que vivia na rua:

          - Ô, cachaceiro!

          E o melhor é que o infeliz respondia:

          - Vai cair daí, rapaz! Ic...

          Até ladrão ele já havia enfrentado, lá do alto:

          - Pega! Pega! - e o cara fugiu batido.

          Conhecia a cidade só de ouvir o que a família e o pessoal da rua contavam: praia, lagoa, escola, shopping, museu, Maracanã, igreja, e, também, sobre favela, rua esburacada, acidente, golpe do telefone, bala perdida. Mas, qualquer que fosse o lado do Rio de Janeiro descrito, cantava "Cidade Maravilhosa" de cor e salteado, que aprendeu com Marlene, a empregada.

          Um dia, reparou que a árvore defronte ao prédio havia crescido tanto, que já batia na janela. Começou a subir entre seus galhos e viu que não estava preso. Era a chance de ir embora, conhecer outras pessoas e outros lugares. Bater asas e voar. Mas sentiu um peso que não o deixava partir. Devia ser a corrente com que o mantinham no cativeiro. Olhou e viu que não havia corrente alguma. Os elos que o prendiam eram a família, a comidinha na mão da Marlene, o Vasco, a churrascaria, a cidade que ele conhecia tão bem.

          Desceu cuidadosamente e acomodou-se na varanda do apartamento. A corrente que o prendia estava lá, mas sentiu uma leveza tão grande, um aconchego tão bom, que disparou:

          - Marília, Antônio, churrasco, gostosa, Lucas, cachaceiro, Isabel, Vasco, pega, pega, Marlene, cerveja, vão tomar no c... !!!

          A família se entreolhou e Antônio falou por todos:

          - Esse papagaio ficou maluco... Fica quieto, Zé!

          Depois de tudo que aconteceu, não podia aceitar apenas isso: Zé. Zé Ninguém? Do alto do seu poleiro, afirmou orgulhosamente:

          - Meu nome é Zé Carioca!

domingo, 10 de julho de 2011

UMA CERTA PÁGINA DA VIDA

( Esta história foi escrita por ocasião da novela "Páginas da Vida", de Manoel Carlos. Tia N. era fanática por novelas, via todas. Ela já faleceu, mas, mesmo assim, não colocarei o nome dela, pois é bem capaz de vir puxar meu pé, de noite... Seu apelido era "Dona Bronca", imaginem! )

          Já cheguei à conclusão de que eu sou masoquista. Esta página da minha vida não era para ser contada, era para ser virada. É o famoso "rir para não chorar" e, como eu gosto de sofrer, compartilho a relembrança do acontecido com vocês.

          Tia ENE é uma figuraça! Não sou besta de colocar o nome dela, senão serei uma página virada. Ela se acha. Considera-se moderna (apesar da idade), simpática (realmente, tem muitos amigos) e inteligente (isto ela é, mas troca as palavras, como, por exemplo, PERÍNEO, em vez de PERITO; só isso já daria outra página) e outras qualidades mais. Entre essas, destaca-se cozinheira de mão cheia. Tudo que faz é melhor, especialmente em comparação com as irmãs.

          Como também se julga uma mulher atualizada, resolveu entrar num curso de culinária, especializado em bolos. Ela reconhecia que estes não eram o seu forte, logo não poderia admitir esta página em branco na sua vida. Ao final, haveria uma festa, com a premiação dos melhores.

          No dia previsto, Titia convidou a família inteira para torcer pela sua obra. Alguns foram, inclusive eu. Chegou a hora do julgamento e dez foram selecionados para concorrer ao primeiro lugar. Adivinhem: o bolo dela não entrou nem entre os dez. Acho que, se ela pudesse, teria rasgado todas as páginas do regulamento do concurso. Pois não se fez de rogada: não sei como, sem que ninguém percebesse, surrupiou o bolo mais bonito e o mais cotado para vencer. Pegou o dito cujo e entregou para mim. Na hora, eu estava sozinha, guardando os lugares na nossa mesa, pois o resto da família tinha ido comprar bebida.

          - Toma! Segura isso aí.

          - Tia, que bolo é este? - eu vi que não era o dela.

          - Segura, segura!

          E se mandou. Fiquei lá, sozinha, segurando...

          Dali a pouco, vem uma mulher furiosa, com várias pessoas atrás, justo na minha direção:

          - Meu bolo! O meu bolo! - gritava.

          Aí, eu entendi tudo, mas, como não tenho nenhuma presença de espírito, não conseguia esboçar reação. Comecei a tremer, a voz não saía. E já me via na primeira página dos jornais, como ladra de bolo.

          - O que você está fazendo com o meu bolo? - berrava a boleira, apoiada pelo olhar de reprovação de todos na festa.

          Quando eu ia começar a gaguejar, chega minha tia, na maior calma:

          - O que foi? O que foi?

          - Ela está com o meu bolo premiado! - esganiçava a vencedora (é, o bolo dela ganhou!).

          E agora? Havia alguma coisa para se fazer ou dizer? Havia e ela fez e disse:

          - Ah, bem que eu falei para a minha sobrinha aí que aquela mulher gorda que pediu para a gente guardar o bolo dela, era muito estranha. Falei, falei e falei para a minha sobrinha não guardar, mas ela teimou, quis ser gentil. Viu só?

          A dona do bolo mudou da água para o vinho. Além de se acalmar, abraçou e beijou Titia, toda agradecida, e ainda deu metade do bolo para ela.

          E, como última página de tudo, a pobre de mim ficou como a boba da história e ainda teve que ouvir dela:

          - Frouxa!